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Mulheres que impõem limites são até mais produtivas no trabalho



A ideia de que as mulheres são mais dóceis, gentis e abertas à demanda se trata de uma construção social criada no imaginário popular que pode impactar muito sua qualidade de vida, sobretudo no ambiente corporativo. A falta de imposição de limites, que segue essas outras características, pode acabar causando maior estresse e sobrecarga no trabalho e, interferir assim, em sua produtividade no mundo profissional. É mais do que hora de mudar essa configuração patriarcal.


Nos foi contada uma história de que somos mais fracas, mais submissas, mais dóceis e que se não nos posicionarmos desta maneira não somos consideradas “mulheres”. Desde os primórdios na nossa história, fomos colocadas em um espaço doméstico de cuidados, que nos obrigou a cuidar de todas as necessidades que exigiam a vida familiar, por exemplo, cuidar das crianças, da casa e do marido. 


Toda esta construção ao longo da história fez com que as mulheres não conseguissem chegar aos espaços públicos. No Brasil, até 1962 as mulheres precisavam de autorização do marido para trabalhar. Toda esta história, que muitas vezes não é contada ou esquecida, impacta diretamente a maneira que a mulher é vista pela sociedade, incluindo o ambiente corporativo. Uma mulher que não segue o padrão estabelecido historicamente, sendo mais assertiva ou menos dócil é julgada no trabalho como uma mulher agressiva, com um lado negativo de seu posicionamento sempre em foco, o que não acontece com o homem. 


Quando iniciei os meus estudos sobre a generosidade alterista (generosidade com limites), percebi que a primeira coisa que precisava fazer era compreender quais eram os meus próprios limites e essa é a primeira coisa que uma mulher precisa fazer. Estes limites estão muito relacionados com os nossos valores. Quando a gente conhece nossos limites, conseguimos respeitar os limites das outras pessoas e não aceitar aquilo que não está alinhado com os nossos valores. 


Outro ponto importante é começar a solicitar ajuda. De acordo com as pesquisas realizadas pelo professor e psicólogo Adam Grant, o maior problema das organizações em relação às ajuda, não se trata de que as pessoas não desejam ajudar umas as outras, mas sim porque o ambiente de trabalho não está preparado para que as pessoas façam isso.


Para dizer não e impor limites de forma eficiente, a melhor maneira é ser clara, assertiva e respeitosa. Elas podem explicar seus compromissos atuais, suas prioridades e a necessidade de manter um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. É importante comunicar essas limitações de forma proativa e construtiva, mostrando como aquilo não irá impactar seu trabalho de forma negativa, mas sim o contrário.


Existem pesquisas que demonstram que para a mulher é muito difícil solicitar algo quando ela está solicitando para ela mesma. Neste caso, a sugestão é que a mulher imagine que aquela solicitação seja para outra pessoa e não para ela. Geralmente quando as mulheres estão pedindo algum tipo de ajuda para outra pessoa, e não para ela, são muito mais assertivas e persuasivas.


Quando as mulheres conseguem estabelecer limites e priorizar tarefas, elas podem se concentrar nas atividades mais importantes e executá-las com mais eficiência. Isso reduz a sobrecarga de trabalho, diminui o estresse e permite um foco maior na qualidade dos afazeres, resultando em maior produtividade.Para além das mulheres, é preciso que as empresas compreendam mais isso, a partir de programas de orientação de gênero e diversidade.


Greg Mckeon propõe o conceito do Essencialismo, que consiste em fazer apenas o que é essencial, eliminando o restante. Ou seja, em contraposição ao conceito de alta produtividade, ele propõe um desafio: fazer menos, mas melhor.


Algumas práticas que ajudam são:


  • Parar de querer controlar todos o tempo todo;

  • Usar pausas estratégicas durante uma reunião ou uma discussão para ajudar a organizar o seu pensamento;

  • Estabelecer prioridades;

  • Pedir ajuda.


A generosidade alterista, que é definida por você aprender a colocar limites na generosidade, olha para você e aquilo que faz sentido para a sua vida. É uma prática de doação consciente, isto quer dizer, você ajuda as outras pessoas sem prejudicar as suas decisões e seus próprios interesses.


O preço do seu SIM para tudo pode ser muito alto. Pode afetar a sua saúde, seus relacionamentos e sua qualidade de vida. As mulheres foram condicionadas a pensar que ser uma pessoa generosa é estar disponível para as outras pessoas 24 horas 7 dias da semana. 


Isso precisa mudar. É importante equilibrar essa generosidade com a auto-preservação e a capacidade de dizer não quando necessário, para evitar a sobrecarga e garantir o respeito pelos próprios limites. Ao encontrar esse equilíbrio, as mulheres podem contribuir positivamente para o ambiente de trabalho e, ao mesmo tempo, manter sua produtividade e bem-estar.





Sobre Cris Zanata: Fundadora do Instituto de Alterismo do Brasil (InsAB), Conselheira de diversidade, equidade e inclusão na RSU Lixo Inteligente e mestranda em Gênero e Diversidade pela Universidade de Oviedo, na Espanha. Trabalhou durante 18 anos em cargos de liderança em Big Four e empresas do setor privado na área de impostos aduaneiros e logística, alcançando o cargo de diretora global de logística em uma empresa de energia renovável espanhola. Atualmente é pesquisadora sobre inovação social, equidade de gênero e generosidade nas organizações e facilitadora em projetos realizados por Carlotas na Alemanha para mulheres migrantes.


Informações à imprensa 


Alexandre Poletto (11) 939322834alexandre@exclame.cc

Nicoly Bastos (15) 997221811


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