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07.01.2010

A Imagem como elemento de valorização da Cultura Local

O encanto que as imagens exercem sobre o homem pode ser observada em todos os lugares do mundo nas mais diferentes épocas, como por exemplo, as pinturas rupestres de nossos ancestrais portugueses na acolhida rochosa da Lapa dos Gaivões, que está localizado na Serra dos Louções, as pirâmides do Egito, as esculturas gregas e romanas, as belezas naturais, dentre outras. E com as novas tecnologias, o homem pode dar contornos mais concretos aos seus sonhos. Os filmes de ficção científica, como Avatar, ou até mesmo, Star Wars, são esperados com bastante expectativa pois a liberdade de criação adquirida com os programas de computação gráfica produz verdadeiros sucessos de bilheteria, ou seja, o que o público realmente espera ver.

Em um contexto globalizado, onde todos os setores econômicos, políticos e sociais estão interligados, o uso da imagem na enfatizando os aspectos culturais de uma cidade, região ou país, tem sido desenvolvido e aplicado de formas diversas, seja ela, a imagem de um ponto turístico, de uma celebridade que nasceu neste local ou mesmo de um personagem criado pelas próprias crenças locais. A utilização de imagens e cores em folders informativos, cartazes culturais, mapas direcionados aos turistas, cartões postais, postais eletrônicos e jornais locais, enfim, as ferramentas de comunicação são importantes utensílios teóricos e práticos na efetivação do objetivo maior que é consolidar e valorizar a cultura daquela região em destaque, fidelizando o visitante e até mesmo conscientizando os moradores locais, divulgando a história e transformando-o em um agente multiplicador das informações.

Colocar em pauta matérias que busquem histórias com personagens reais da cidade ou país, como o polêmico escritor José Saramago, faz de Portugal em poucos momentos ser o centro das atenções. A divulgação televisiva de imagens de Lisboa, como cidade sede da XIX cimeira ibero-americana, proporcionou uma exposição voluntária da capital portuguesa nos mais importantes jornais do mundo.

Quando um turista chega a uma cidade latino-americana ou africana ele encontra muitos produtos artesanais e uma cultura muito rica, mas pouco preparada para fornecer e informar ao visitante seus valores locais, seus produtos e suas histórias. Esses produtos são chamados de “souvenir” e tem como objetivo fazer com quem o turista lembre-se de uma época ou ocasião em que esteve em determinado lugar. A Europa hoje é uma grande especialista em produzir e vender este tipo de material. Em toda cidade ou região que se visita podemos encontrar miniaturas de esculturas e monumentos famosos, cartões postais, comidas e bebidas típicas, camisetas, taças personalizadas, cartilhas, pins, entre outros. Ao visitar a Irlanda, o turista é logo informado que deve conhecer a fábrica de uma das mais famosas cervejas do mu mundo a Guinness. E logo na entrada da fábrica já encontramos uma grande loja que possui deste de meias e luvas até estojos com miniatura da cerveja. Se for em Bruxelas, Bélgica, e não comprar uma miniatura do Manneken Pis ou experimentar um de seus famosos chocolates, o visitante não terá realizado uma viagem perfeita. Mas se o mochileiro, como são chamados às pessoas que visitam várias cidades, estiver com pouco dinheiro ele poderá desfrutar de um antigo meio de comunicação que expressa a cultura do lugar em forma de imagem e eterniza aquele momento com um pequeno texto, são os chamados cartões postais. Em todo o mundo existe este tipo de comunicação, o que além de barato ainda é certificado com carimbo do sistema de telégrafos local, datando a época em que ocorreu sua viagem.

Através dos cartões postais podemos contar uma historia, relembrar um momento, finalizar um relacionamento, começar uma amizade. É caracterizado na parte frontal, com uma imagem que reflete em algum aspecto a cultura do local que se visita, seja uma fotografia, uma pintura ou um desenho. Esse tipo de carta não necessita de envelope, possui no verso um pequeno espaço para escrever a mensagem e outro para colocar o endereço do destinatário. Os primeiros surgiram no século XIX e os mais comuns ilustram fotografias de personalidades, esculturas, panorâmicas de cidades, pinturas e elementos da natureza. Muitas vezes tal meio de comunicação é desvalorizado como uma forma efetiva de utilização e valorização da cultura local. “Os postais ilustrados foram uma das primeiras formas de imagem fixada em papel e industrialmente produzida. Eles pertencem à história da comunicação, apesar de serem muitas vezes desconsiderados“ (M.L. Martins et al., 2008). Enfim, os postais ilustrativos como são chamados em Portugal, valorizam a cultura de um povo e marcam os grandes momentos vividos por sua civilização. Buscar valorizar esse tipo de comunicação é aproveitar o seu baixo custo e marcar os grandes momentos da sua vida com algo que poderá futuramente poderá ser facilmente guardado e relembrado.

Referencial Bibliográfico:
Martins, M.L. & Pinto M. (Orgs.) (2008) “Dos postais ilustrados aos posts nos weblogues: para uma sócio-semiótica da imagem e do imaginário”.
(http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/9611/1/moiseslmartins_etal_2008_5sopcom.pdf)


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